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Theatro MunicipalSão João da Boa Vista
A fachada do Theatro no tempo do cinema, com os letreiros do Cine Theatro e do Bar Theatro no térreo.

O Theatro visto por quem esteve lá

Curiosidades do Theatro

A história oficial costuma registrar datas, leis e grandes nomes. A memória guarda outras coisas: o barulho dos pés no assoalho, o doce comprado antes da sessão, a escada para a galeria, o cheiro do foyer, o medo diante de um filme de piratas, a primeira vez no palco.

São histórias curtas, reunidas em cinco temas. Quando uma delas nasce sobretudo de memória ou crônica, um selo indica.

Fundação e inauguração

De como uma cidade decidiu erguer o seu monumento — e a noite em que ele abriu as portas.

A crônica do jornal A Cidade de São João, em maio de 1913, sobre o assentamento da pedra fundamental — com a descrição técnica do edifício projetado.

Uma cápsula do tempo sob a porta

No lançamento da pedra fundamental, sob a porta principal foi enterrada uma caixa de concreto com a ata de fundação, os estatutos da Companhia Teatral Sanjoanense, jornais da época (O Estado de São Paulo, Correio Paulistano), dinheiro em mil-réis e cartões de visita.

Uma lei para ganhar um teatro

Em 15 de abril de 1912, a Câmara aprovou uma lei que concedia isenção de impostos por dez anos a quem construísse um teatro na cidade — e garantia juros sobre o capital investido. Foi o empurrão que faltava para tirar o Theatro do papel.

113 acionistas?

A tradição diz que 113 acionistas fundaram a Companhia Teatral Sanjoanense em 24 de fevereiro de 1913. A pesquisa acadêmica corrige o número: a ata registra 103 presentes ou representados (677 ações), e o Livro de Accionistas chega a cerca de 196 acionistas até 1914 — entre eles comerciantes, imigrantes, profissionais liberais e oito mulheres. Foi a própria cidade, em sua diversidade, que financiou o seu teatro.

A cidade já tinha cinemas — queria um monumento

Quando a ideia ganhou força, São João da Boa Vista já contava com os cinemas Ideal, Bijou e Guarany e com os teatros São João e Recreio, além de um salão no Centro Recreativo Sanjoanense. A elite do café queria, porém, um exemplar maior e mais bem-acabado — menos um espaço de diversão e mais um monumento à altura de uma cidade que se sonhava moderna e cosmopolita.

A chegada de gala pela Mogiana

Na inauguração de 1914, boa parte do público — famílias de fazendeiros, banqueiros e profissionais liberais, muitos imigrantes italianos — chegou da vizinhança nos vagões de primeira classe da estrada de ferro Mogiana, cujos trilhos cortavam a região desde 1886. Foi o trem do café que trouxe a plateia da primeira noite.

Duas festas na mesma noite

Enquanto a alta sociedade lotava as 480 cadeiras, as 22 frisas e os 30 camarotes para ver “Uma Causa Célebre” naquele sábado de primavera de 1914, é provável que, nos arredores da cidade, outras festas bem diferentes acontecessem — ao som de violas, tambores e berimbaus. Duas São Joãos, na mesma noite.

As mulheres que sustentaram o Theatro

Endividada com a construção, a companhia teatral logo ficou sem fôlego para trazer grandes artistas. Foram algumas mulheres da cidade que ajudaram a manter o Theatro de pé nas primeiras décadas, promovendo os eventos que o conservaram vivo — para elas, ir ao teatro era também o dia de sair de casa e afirmar o lugar da família.

Duas estreias numa só noite

A crônica de O Município de 31 de outubro de 1914 anunciou a abertura como “duas estreias a um só tempo — a estreia da Companhia dirigida pelo sr. Santos Silva e a estreia do Theatro Municipal, há muito desejada”. A Companhia de Variedades tinha chegado à cidade na quinta-feira anterior; no sábado, o Theatro abria as portas. Em cerimônia de gala, as autoridades declararam-no, sem hesitar, o maior e melhor casa de espetáculos de todo o interior paulista.

Os cinemas que arrendaram o Theatro

Antes mesmo de o Theatro abrir, as empresas dos cinemas Ideal e Bijou, então fundidas, arrendaram o novo edifício da Companhia Teatral Sanjoanense. O jornal de outubro de 1914 já anunciava que elas passariam a funcionar ali, “correspondendo às simpatias do público, quer no serviço cinematográfico, quer em outros gêneros de diversões” — o cinema, portanto, esteve no Theatro desde o primeiro dia.

O primeiro festival da casa

Já em 15 de novembro de 1914, duas semanas após a inauguração, o grupo amador “Amor à Arte” realizou o primeiro festival da Companhia Theatral Sanjoanense — o começo da tradição dos festivais locais no palco.

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