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Theatro MunicipalSão João da Boa Vista
Salão do Theatro ocupado por um grande baile, com público na plateia e galerias.

O Theatro visto por quem esteve lá

Curiosidades do Theatro

2 min de leitura

A história oficial costuma registrar datas, leis e grandes nomes. A memória guarda outras coisas: o barulho dos pés no assoalho, o doce comprado antes da sessão, a escada para a galeria, o cheiro do foyer, o medo diante de um filme de piratas, a primeira vez no palco.

Esta página reúne episódios apoiados em documentos e lembranças pessoais. Quando uma história nasce sobretudo de memória ou crônica, um selo indica sua natureza.

Bailes transformavam a plateia

Apoiado em fotografias e relatos.

Mesas, decoração, música e dança ocupavam o lugar das cadeiras. As galerias permaneciam cheias, e a sala inteira funcionava como cenário social.

As imagens dos bailes recompensam o olhar atento: as roupas, os músicos, a decoração, as luzes, as galerias cheias — nos detalhes, contam como a cidade vivia o Theatro.

O cinema tinha seu próprio ritual

Apoiado em memória oral e crônicas.

As sessões começavam antes de a tela acender. Jovens passeavam pela praça, encontravam namorados, compravam doces e guardavam lugares. Matinês e seriados atraíam crianças; sessões noturnas reuniam famílias e casais.

A bomboniere oferecia chocolates, drops e balas que aparecem com nitidez nas lembranças. A pipoca era comprada do lado de fora. O bar, instalado na frente do edifício, prolongava a conversa antes e depois do filme.

Voz do Theatro: para uma geração, o prédio não era “um antigo teatro que virou cinema”. Era simplesmente o cinema de sua infância.

A galeria também acolhia quem não podia pagar

Apoiado em memória pessoal.

Uma crônica relata que, depois do início da sessão, o responsável pelo cinema às vezes autorizava a entrada de meninos sem dinheiro — mas apenas para a galeria, acessada pela escada lateral.

O caso diz duas coisas ao mesmo tempo: a rigidez dos setores e os pequenos gestos de bondade que nenhum livro-caixa registra.

O Theatro também foi biblioteca

Registrado em documentos e lembrado por frequentadores.

A partir da década de 1960, a Biblioteca Municipal ocupou dependências superiores. Alguns moradores lembram que entraram no edifício primeiro para ler, e só depois para assistir a espetáculos.

Ou seja: o mesmo prédio formava leitores e espectadores, muitas vezes na mesma pessoa.

Os fantasmas do Theatro

Apoiado em uma crônica literária.

Clovis Vieira imaginou antigos frequentadores e trabalhadores permanecendo no edifício como fantasmas discretos. Eles respeitariam o silêncio durante a apresentação e aplaudiriam quando a arte fosse boa.

Ninguém precisa levar a crônica a sério como caso de assombração. O que ela diz, no fundo, é uma coisa que qualquer frequentador sente: num teatro antigo, quem passou por ali nunca vai embora de todo.

Curiosidades, por tema

Episódios apoiados em documentos e lembranças, reunidos em cinco capítulos — da fundação aos mistérios da casa.

Fundação e inauguração

De como uma cidade decidiu erguer o seu monumento — e a noite em que ele abriu as portas.

Você sabia?

Uma cápsula do tempo sob a porta

No lançamento da pedra fundamental, sob a porta principal foi enterrada uma caixa de concreto com a ata de fundação, os estatutos da Companhia Teatral Sanjoanense, jornais da época (O Estado de São Paulo, Correio Paulistano), dinheiro em mil-réis e cartões de visita.

Você sabia?

Uma lei para ganhar um teatro

Em 15 de abril de 1912, a Câmara aprovou uma lei que concedia isenção de impostos por dez anos a quem construísse um teatro na cidade — e garantia juros sobre o capital investido. Foi o empurrão que faltava para tirar o Theatro do papel.

Você sabia?

113 acionistas?

A tradição diz que 113 acionistas fundaram a Companhia Teatral Sanjoanense em 24 de fevereiro de 1913. A pesquisa acadêmica corrige o número: a ata registra 103 presentes ou representados (677 ações), e o Livro de Accionistas chega a cerca de 196 acionistas até 1914 — entre eles comerciantes, imigrantes, profissionais liberais e oito mulheres. Foi a própria cidade, em sua diversidade, que financiou o seu teatro.

Grandes nomes, grandes noites

Os artistas, os pianos e as plateias que passaram pelo palco.

Você sabia?

A “Guerra dos Sexos”

Nos anos 1920, um grupo de adolescentes encenou no Theatro a peça “Guerra aos Homens”, de Afrânio Peixoto, com tanto sucesso que o público não queria ir embora. Em resposta, os rapazes se uniram no “Grupo da Meia Noite” — assim chamado por ser o horário em que se reuniam para escrever — e a rixa teatral entre moças e rapazes durou um bom tempo.

Você sabia?

Villa-Lobos no segundo andar

A sala da Sociedade de Cultura Artística, no segundo andar do Theatro, recebeu um recital ligado ao maestro Villa-Lobos, com o pianista Souza Lima executando a “Dança dos Negros”. Pelo mesmo palco passaram companhias líricas e orquestras vindas de São Paulo.

Você sabia?

Um romance sanjoanense virou filme

A professora Jaçanã Altair, ligada à vida artística da cidade, escreveu o romance “João Negrinho”, transformado em filme na década de 1950. Hoje ela dá nome à Biblioteca Municipal.

A casa de muitos usos

Rádio, rinque, redação de jornal: o edifício foi muito além do espetáculo.

Você sabia?

Quase um cassino

Diante de dificuldades financeiras, a transformação de salões em cassino chegou a ser considerada no final dos anos 1920.

Você sabia?

Rinque de patinação

Em 1929, a sala foi adaptada para patinação.

Você sabia?

Uma rádio no segundo andar

A Rádio Difusora ZYJ-6 funcionou no edifício entre 1958 e 1963, com apresentações ao vivo.

O tempo do cinema

As décadas em que o Theatro virou cinema — e os causos da plateia.

Você sabia?Memória

O cão Amigo

Uma memória local registra que o cão alimentado no Bar Theatro acompanhava cortejos fúnebres até o cemitério. De tanto ganhar pedaços de Bauru de quem comia no Bar Theatro, conta-se que morreu diabético.

Você sabia?Memória

Só um voltou!

Flávio Nogueira teria criado esse título para divulgar um filme cujo cartaz não trazia nome em português.

Você sabia?Memória

Pela parede do banheiro

Para entrar no cinema sem pagar, meninos pulavam uma abertura na parede que ligava o bar ao banheiro masculino — lembrança que volta em vários depoimentos do filme.

Ameaça, restauro e mistérios

O fechamento, a luta para salvá-lo, a obra e o que ainda não se explica.

Você sabia?

Uma retroescavadeira na plateia

A máquina entrou no edifício durante o rebaixamento do subsolo e das fundações.

Você sabia?

Um show no canteiro de obras

Em 1995, Relembranças lotou a sala ainda inacabada, com cadeiras emprestadas.

Você sabia?

Um retrato escondido sob a tinta

Sobre a boca de cena, camadas de tinta escondiam o retrato de Carlos Gomes. Durante o restauro, uma prospecção delicada revelou o medalhão — remoção controlada das camadas, reintegração das lacunas e proteção final devolveram a figura ao palco.

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