Pular para o conteúdo
Theatro MunicipalSão João da Boa Vista

A história do Theatro em filme

Música & Drama

Dirigido por Eduardo Menezes e lançado em 2015, Música & Drama reconstrói um século de vida do Theatro pela voz de quem o frequentou, defendeu e restaurou. Em pouco mais de cem minutos, costura imagens, documentos e dezenas de depoimentos — das memórias de infância no cinema à batalha contra a demolição, do projeto de 1913 à reabertura de 2002.

Mais do que a cronologia de um edifício, é o retrato da relação entre uma cidade e o lugar onde ela se reconheceu. A transcrição completa, navegável abaixo, transforma esses relatos em fonte de consulta.

Abrir no YouTube ↗

Ficha técnica

Lançado em 2015, com cerca de 108 minutos.

Direção e edição
Eduardo Menezes
Roteiro
Neusa Menezes
Fotografia
Marcelo Gonçalves
Produção
Adriana Torati
Áudio
Diogo Felipe
Assistência de câmera
Filipe Della Torre
Imagens adicionais
Leonardo Nogueira e Leonardo Beraldo

O filme como fonte histórica

O filme abre na memória, não na data. Um sanjoanense relembra a primeira ida ao teatro, ainda criança, de terninho azul-marinho, quando um ator entrou pela plateia disfarçado de mendigo e subiu ao palco — As Mãos de Eurídice, com Rodolfo Mayer. A partir daí, dezenas de vozes reconstroem o ritual do antigo Cine Theatro: o footing antes da sessão, os namoros nas últimas fileiras, o “galinheiro” mais barato no alto, a fileira que ninguém ocupava porque do camarote cuspiam, e os meninos que pulavam a parede do banheiro para entrar sem pagar.

Outras lembranças desenham a vida ao redor do palco: o Bar Theatro de seu Arnaldo Posse, com a coalhada e o Bauru famosos; o cão Amigo, que dormia à porta; a Sociedade de Cultura Artística e a Sociedade Cultural de Debates, no segundo andar, que receberam nomes como Villa-Lobos e foram, segundo um depoente, o núcleo da futura Academia de Letras local; a rádio e a biblioteca que dividiram o mesmo pavimento; e os recitais ligados a Guiomar Novaes, que elogiava a acústica da casa.

O documentário guarda também o testemunho direto da quase-perda. Moradores descrevem o edifício “pronto para ser demolido”, as ameaças de virar supermercado ou estacionamento e a campanha que o salvou: as passeatas em torno da Catedral, as duas mil assinaturas reunidas em quinze dias e a ameaça de greve de fome no alto da fachada. O prefeito Sidney Beraldo, o engenheiro João Batista Merlin e a equipe relatam a compra em duas etapas, o tombamento de 1987 e a longa obra.

São os bastidores do restauro que o filme registra com mais intimidade: a viagem ao Rio para “entender de teatro”, a disputa sobre a escavação do subsolo e a revelação do medalhão de Carlos Gomes — escondido sob camadas de tinta e trazido de volta à luz pelo restaurador César Roberto Olandim, sobre um andaime montado da noite para o dia. O reencontro de 2002, com filas que davam a volta no quarteirão e um telão na praça, fecha o ciclo. Ao reunir essas vozes, Música & Drama funciona como uma fonte histórica viva: muitas dessas memórias não existem em nenhum documento escrito.

Estrutura de capítulos

Oito capítulos percorrem a trajetória do Theatro, do fim do século XIX ao patrimônio vivo de hoje.

  1. 01A cidade antes do Theatro
  2. 02Companhia, projeto e construção
  3. 03A primeira noite e as décadas de espetáculos
  4. 04O Cine Theatro e as memórias de público
  5. 05Declínio e ameaça de demolição
  6. 06Mobilização, compra e tombamento
  7. 07Restauro e reabertura
  8. 08O Theatro vivo

Momentos do filme

Pontos-chave do documentário — clique para abrir cada momento no YouTube.

  1. 0:34A primeira ida ao teatroMemórias
  2. 3:15A arte e a cultura como genética sanjoanenseHistória
  3. 8:19O Teatro Apolo e a ideia de uma casa de espetáculosHistória
  4. 11:37A Companhia Teatral Sanjoanense e a pedra fundamental (1913)História
  5. 12:21A inauguração de 31 de outubro de 1914História
  6. 13:19A fachada eclética e os medalhões dos compositoresArquitetura
  7. 15:55A estrutura metálica vinda da BélgicaArquitetura
  8. 17:47A acústica e a referência ao ScalaArquitetura
  9. 20:05As grandes companhias e a Branca de NeveLinha do tempo
  10. 25:47Villa-Lobos e a Sociedade de Cultura ArtísticaLinha do tempo
  11. 34:06Roberto Carlos e a Jovem GuardaLinha do tempo
  12. 38:18Decadência e ameaça de demoliçãoRestauro
  13. 43:56A greve de fome contra a venda do TheatroRestauro
  14. 47:56O abaixo-assinado e o tombamentoRestauro
  15. 58:22A escavadeira no subsolo e o restauro estruturalRestauro
  16. 72:04O restauro do medalhão de Carlos GomesArquitetura
  17. 76:49A reabertura em 2002, na Semana Guiomar NovaesRestauro
  18. 81:53A criação da AMITE e a gestão do TheatroPessoas

Quem aparece no documentário

Pessoas citadas nos depoimentos — abra a página de cada uma ou pule direto para o minuto em que são mencionadas.

Transcrição navegável

Transcrição do documentário gerada a partir das legendas e revisada nos nomes próprios. Busque por palavra, nome ou tema — e clique no minuto para abrir o filme exatamente naquele ponto.

  1. 00:34

    eu lembro do meu pai Uma Noite Chegar em casa e me dar um pedacinho de papel e falar que tinha comprado um ingresso para eu ir ao teatro e eu fiquei meio assim né vou ao teatro que é isso como é que é como é que não é aí ele me ensinou como é que tinha que fazer tinha que entrar ficar quietinho sentar não podia falar alto não podia conversar com ninguém e eu vim pro Teatro coloquei meu terninho azul marinho entrei no teatro sentei e do meu lado ficou um lugar vago e começou a chegar gente e todo mundo sentando sentando sentando e as

  2. 01:27

    luzes foram se apagando e de repente do meu lado tinha uma cadeira vazia e uma luz se acendeu em cima da cadeira e entrou um senhor e sentou nessa cadeira e era um senhor que estava muito mal vestido com uma roupa ele parecia mesmo um mendigo e eu na minha ingenuidade de criança fiquei pensando mas meu Deus do céu né meu pai falou tanto daqui que tinha que pôr o terno para ir lá agora chega um senhor aqui entra nesse estado de repente o velho levantou e veio andando pelo corredor eu tava na terceira ou quarta fileira e veio

  3. 02:11

    andando subiu no palco e aí as luzes foram se acendendo e começou o espetáculo era As Mãos de Eurídice com Rodolfo Mayer. Então eu acho que isso foi um acontecimento na minha vida porque aí descobri que quando a cortina abre você entra num mundo de fantasia você viaja pelo tempo. Essa foi a minha primeira experiência em teatro.

  4. 03:15

    cada cidade possui um perfil ou turístico ou econômico e eu acredito que a grande genética sanjoanense seja a arte e a cultura quando a gente sai na região e conversa com o pessoal da região você ouve as pessoas falar São João tem alguma coisa diferente. A maior diversão e a talvez a mais fina diversão na minha época a década de 50, 60 também né até mesmo 70 era o cinema os casais colocavam terno aquelas mulheres iam muito bem vestidas para assistir uma fita um filme e tinha uma fileira que ficava sempre vazia ninguém

    ver: Memórias e curiosidades
  5. 04:14

    sentava e nós ficávamos preocupados não tá lotado o cinema e ninguém senta aqui eu vou na frente, ninguém queria sentar. aí que descobriam porque o pessoal que ficava no camarote cuspia e quem sentava embaixo então ele sabia que vinha cuspida de cima Então ninguém sentava naquela cadeira. e as histórias paralelas que eu ouço desde sempre que os meus pais se conheceram na quando eram jovens e o teatro era um circuito por onde eles transitavam até tinha um senhor aqui ele pagava por mês aqui para sentar lá na última fila

  6. 04:57

    para ele poder dormir que ele tinha insônia na casa dele então aqui no teatro ele conseguia dormir. lá a gente não ia ao cinema de bermuda de short porque nem existia essa palavra bermuda nós não conhecíamos a gente colocava uma roupa mais bem aprumada quando eu vi o Cinema Paradiso um filme muito conhecido a minha cabeça associou Paradiso com o teatro aqui. a gente entrava pelo bar e onde fazia o sanduíche ele tinha uma parede que tinha uma abertura em cima e essa abertura ela dava dentro do

  7. 05:41

    banheiro masculino e a gente pulava a parede entrava no cinema sem pagar. emoção conjunta isso é muito importante que a televisão exclui as outras pessoas fica a família alguns amigos e é isso coisa fechada quando você tá no auditório a emoção contagia e era muito interessante porque a gente batia fazia muito som a gente batia com o pé molecada para fazer barulho. e a gente vinha também trocar Gibi me lembro Gordo e o Magro Charles Chaplin. o que me impressionava era a cortina que subia ela ia enrugando enrugando e subia

  8. 06:25

    e mostrava a tela. vim na matinê assisti vários Episódios dos Três Patetas era uma coisa que eu e os meus amigos de infância vínhamos muito aqui eu tinha 10 12 anos era um prédio enorme porque quando a gente é criança tudo é muito grande. e o cinema nós tínhamos aqueles seriados as crianças vinham pros seriados de criança e assim que era os seriados dos adolescentes que daí era Flash Gordon Flash Gordon que de alguma forma era o prenúncio das viagens espaciais. era basicamente aqueles faroeste era o mocinho seus

  9. 07:05

    companheiros e os índios geralmente os índios sempre eram os bandidos hoje nós verificamos que na verdade os índios eram os mocinhos os bandidos eram aqueles que atacavam os índios era uma plateia inteira torcendo pelo bandido e o bandido não ganhava nunca coitado. e se você me perguntasse qual o sabor do teatro é o sabor de balinha. eu lembro que eu ganhei um pacote de balinha para obviamente eu vir assistir algum filme infantil na década de 60 comecinho de 70 que eu ainda era criança. eu assistia filme só com um olho na fresta

  10. 07:42

    da porta passavam filmes de faroeste e os principais que eu assisti era do Bruce Lee filme de Kung Fu. primeira grande emoção que eu tive na vida no cinema foi isso assisti Frankenstein e eu acho que eu fiquei com isso o resto até hoje eu tenho isso. como eu fui embora não sei. se você falar que tinha o galinheiro o galinheiro era o último balcão e lá era mais barato então a turma queria galinhar ia lá pro galinheiro. quando eu frequentava ainda era da época de chegar mais cedo no cinema luz acesa tinha aquele footing que ficava

  11. 08:30

    andando paquerando lá para ver se tinha alguma menina para sentar do lado e pelo menos pegar na mão. na época era um namoro aquele meio escondido e explícito ao mesmo tempo as namoradas sentavam na frente e nós os namorados atrás e a gente tinha que esperar as luzes se apagarem para poder a menina ir um pouquinho para frente e abraçar por trás a namorada. o teatro ele não é uma condição primeira de espaço cênico em São João da Boa Vista, existiu um teatro até considerável em São João que

  12. 09:19

    foi o Teatro Apolo e esse Teatro Apolo já configurava a essa intenção dos filhos de fazendeiro de um espaço de divertimento de representação de reunião e esses jovens muitos deles eram estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco de São Paulo. surge um grupo de jovens que falam: vamos ter um teatro, uma coisa incrível para 1913, eles eram praticamente republicanos no período imperial e eles precisavam desse espaço justamente para se reunir na época que era de férias e eles queriam ter um

    ver: História
  13. 10:07

    local para eles se divertir, diversão que fosse à altura dos outros teatros que eles conheceram porque muitos deles tinham viajado pra Europa e eles vão escolher justamente um terreno atrás da igreja Catedral o local mais importante da cidade. origem desta iniciativa de construir um teatro de São João, pequeno núcleo urbano de 10

  14. 10:41

    mil habitantes talvez, mas é também um espaço que possa representar o quanto poderia ser importante a cidade tanto que o desempenho deles foi para um teatro talvez até considerável pelo tamanho em referência à proporção econômica da cidade. é como se eles estivessem prevendo uma cidade que poderia se desenvolver bastante até como um símbolo regional. e a ideia, ao que consta lá na minha família, surgiu sobretudo na cabeça de meu avô Coronel Joaquim Cândido de Oliveira que era na época chefe do Partido Republicano Paulista. convocaram uma reunião no Centro

  15. 11:37

    Recreativo e com 116 sócios eles fundaram a Companhia Teatral Sanjoanense cada um deu uma cota em dinheiro e no dia 13 de maio de 1913 foi lançada a pedra fundamental para construção do Teatro Municipal. você percebe que houve um envolvimento de câmara de intendência de capitalistas e de senhores quando você vai ver todas as cotas os nomes de quem está adquirindo essas cotas. então no prazo de um ano eles conseguiram construir esse prédio no dia 31 de outubro de 1914 o teatro foi inaugurado

    ver: História
  16. 12:21

    constitui-se como um símbolo municipal um símbolo republicano da cidade e esse símbolo é o que marcou toda a história do teatro perante o centro da cidade. então a cidade esperava ansiosa por isso porque um prédio monumental numa cidade ainda muito pequena aquilo atraía curiosidade o povo queria saber como ficou o que aconteceu e lotou realmente o teatro no dia. aí teve a banda de música do Zé Menino que tocou na inauguração. quando eles foram pensar no projeto eles queriam encomendar um projeto especial

  17. 13:01

    não que fosse feito por técnicos próprios da cidade. aqui a gente tinha grandes arquitetos, arquitetos estrangeiros por sinal que vieram com a ferrovia e com o progresso cafeeiro a gente tinha muito imigrante italiano que conhecia a técnica mas ele não tinha a escola, vamos dizer assim. dizer que é esse é o modelo puro, ele sabia fazer os ornatos então ele vinha mas se está na ordem certa se está dentro daquele classicismo todo não estava então misturava muita coisa muita técnica muito elemento muito material

    ver: Arquitetura
  18. 13:39

    então eles vão encomendar um projeto para o José, esse José que assina a planta como J. Pucci é um italiano mas a gente já detecta algumas obras dele, parece que ele constituiu uma marmoraria. geralmente os marmoristas ou escultores eles têm um conhecimento muito profundo de arquitetura. é uma planta onde o Teatro Municipal tinha uma forma circular como a do Coliseu com todos os detalhes da planta porque houve uma procura de projetos e esse projeto aqui que venceu mas é muito curioso porque eu acredito

  19. 14:26

    que seja ligado à escultura porque o maior cuidado que ele tem ou uma certa criação seria a fachada e a fachada é bem mais pro neoclássico mas não é também puro e os capitéis cada um aqui é de um jeito não tem sequência nenhuma então ele é eclético. ele teve a chance de fazer essa fachada toda elaborada como se fosse uma escultura onde ele se destaca nos medalhões, esses medalhões que estão sobre as portas são de quatro compositores europeus e um brasileiro que

    ver: Arquitetura
  20. 15:13

    se destacam em ópera. então o Wagner ele vai colocar com a boina lembrando a questão da Alemanha, o Gounod ele vai colocar com um chapeuzinho cônico que é da questão francesa que é o romantismo francês, o Verdi ele vai deixar sem chapéu porque você não consegue achar o chapéu seria muito convencional e o outro seria o Carlos Gomes que tem todo esse nacionalismo brasileiro. e ele faz exemplar esses modelos e toda uma decoração vegetal em volta. eu acredito que seja a obra-prima arquitetônica dele e que nem se a

  21. 15:55

    gente conhece direito a história do J. Pucci e nem deveria ser porque seria uma obra-prima de revestimento, é o lado decorativo mas é o que dá mais charme para esse teatro talvez o que mais sobrevive nesse cenário urbano. e por dentro por exemplo aqui dentro toda essa ferradura ela é feita de estrutura metálica ela veio da Bélgica de navio e toda numerada para ser montada aqui então ela é bem fundada. a própria estrutura que a gente não vê no teatro ela é feita de trilhos, perfis metálicos parecido trilhos de

    ver: Arquitetura
  22. 17:02

    trem mas eles são todos numerados então dá uma estabilidade adequada para o teatro por causa da dimensão do teatro da altura desse teatro. essa fundação era de pedra sem uma gota de cimento porque naquela época tudo era importado então todas essas paredes não têm uma gota de cimento era tudo barro tijolo e barro, não tem um ferrinho. o teatro Scala foi simbólico e forte como referência para todos os teatros que surgiram no século XIX mas aqui é uma cópia deslavada do teatro Scala. e essa qualidade de ser

  23. 17:47

    uma cópia é que traz essa qualidade que é reconhecida do som da qualidade acústica. se você falar do centro do palco se a plateia tiver em silêncio você não precisa de nada não precisa nem de microfone, se tiver uma peça com uma pessoa falando e a plateia em silêncio você vai escutar em todo ponto do teatro com clareza. palavras do diretor técnico da OSESP, ele fez um comentário assim: eu passei por vários teatros da Europa o último foi no teatro de Berlim, esse teatro não perde para nenhum daqueles teatros da Europa, quer dizer

  24. 18:25

    isso é um comentário de um diretor técnico da OSESP. é pra gente não ficar orgulhoso do nosso teatro mas eu lembro dele entrar e bater palmas aqui, quando ele bate palmas foi coisa impressionante a perfeição. quando havia uma peça teatral movimentava a cidade então todo mundo falava sobre o teatro, vai haver uma peça então todo mundo se mobilizava para assistir então era uma glória vir ao teatro então as pessoas se arrumavam muito bem, usava boá usava um

  25. 19:21

    chapeuzinho. eram eventos artísticos que não faltavam à qualidade e que eram assim muito ensaiados muito bem preparados. imagine você isso na década de 20. se ela não apresentasse o espetáculo aqui nenhuma outra cidade ao redor pedia, era como um selo de qualidade se apresentarem aqui. por isso que o teatro tem uma história muito rica de apresentações, as peças os artistas maiores de São Paulo vinham, vinha a companhia toda então era um evento muito grande movimentava a cidade toda. ficavam quase um mês aqui em São João

  26. 20:05

    apresentavam várias peças, atores ficavam aqui. mas mesmo assim essas companhias com o tempo foi se tornando inviável porque ficava muito caro. depois então é que começaram os artistas da cidade e havia um professor de música chamado seu Nascipe Atalla Murr um sírio ele era muito alegre um senhor muito bonito então ele montava as peças de teatro com os alunos e apresentavam aqui. uma que ficou famosa e eu me lembro muito bem foi a Branca de Neve e os Sete Anões foi belíssima. em 1930 foi a última grande crise do café onde eles perderam fazenda

  27. 21:01

    perderam dinheiro e aí começou a época que o teatro começou a viver outra realidade. quase todos eram devedores do Cristiano Osório de Oliveira o banqueiro aqui da cidade e acabaram entregando para ele paulatinamente as suas cotas e naquele tempo não valiam nada. o teatro era um sonho sendo realizado então eles queriam trazer muitas companhias de óperas para cá mas esse sonho não foi possível realizar porque aí já acabou se descobrindo que era inviável, quase que tinha que vender os ingressos adiantados para poder contratar as

  28. 21:41

    companhias. funcionou muito bem com grandes espetáculos ópera e tal até 1929 por aí. e aí começou a ter uma certa crise e passou a ser de patinação. quando era o rinque que estava na falência o teatro a gente não entrava aqui mas passava ouvia o barulho e via que estava mesmo acabadinho o teatro. eu conheci o Dr. Oliveira Neto quando eu cheguei aqui como professor do Instituto de Educação. a minha tia Tita de Oliveira acabou comprando essas ações uma pessoa muito generosa, quando ele terminou a faculdade

  29. 22:37

    de medicina no Rio de Janeiro quando ele chegou ele deu pra família dele, pra tia dele a Dona Tita de Oliveira: vocês querem diploma de médico, meu tá aí o diploma eu nunca vou ser médico. ele começou a trabalhar em posto de saúde bastante tempo, depois ele começou a dar aula nunca mais parou a vocação dele era dar aula era um professor nato. e no meio desse tempo fez o negócio com o teatro. passados alguns anos ela deu essas cotas ao Oliveira Neto que era o sobrinho preferido dela. e estava começando a história de cinema, se você observar bem

  30. 23:16

    foi na década de 30 em meados de 30 que a coisa pôde funcionar. aí estamos na época do cinema, aquele piano que está lá embaixo ele ficava aqui na frente e quando o filme era mudo o pianista tocava o piano a música conforme ia acontecer se era a comédia ou romântico a música romântica ou se era triste uma música bem triste. com sete anos eu vinha para cá com a filha de um senhor que era Mares, ela era pianista e vinha tocar fazer a trilha sonora do cinema mudo. ele tocou o cinema eu calculo

  31. 24:10

    assim uns 40 anos. mais um homem de cultura ele gostava de movimento cultural e nós tínhamos aqui em São João a Sociedade de Cultura Artística e a Sociedade de Cultura Artística funcionava ali na sala de múltiplo uso. é um centro cultural coisa rara nas cidades do interior e veja como São João tem uma necessidade de arte tem uma necessidade de manifestações artísticas. quem participou ativamente dessa Sociedade de Cultura Artística foi o Gilberto um bancário do Banco do Brasil e ele veio para São João para ser gerente, então ele sai de

    ver: Memórias e curiosidades
  32. 25:04

    São Paulo e vem para cá. ele criou a Sociedade de Cultura Artística em conjunto com outras autoridades justamente para você ter uma vida cultural literária e ali eles declamavam poesias entre eles eles cantavam eles ensaiavam eles conversavam sobre literatura sobre cultura sobre o que acontecia. e aí Oliveira Neto cede o saguão superior do teatro entre as apresentações da Cultura Artística. eu acho que a mais impressionante foi do Heitor Villa-Lobos. esse piano que está embaixo foi lá

  33. 25:47

    pra sala da Cultura Artística quando terminou o cinema mudo e tiraram o piano daqui. e a Sociedade de Cultura Artística funcionou até o final da década de 40, começo da década de 50 já mudou já veio um outro grupo com a Sociedade Cultural de Debates e tinha os mesmos moldes e traziam palestrantes. se você ver a relação dos palestrantes que vieram nessas duas instituições você não acredita nomes assim importantíssimos da nossa literatura da nossa política de intelectuais que vinham aqui. nós tínhamos palestrantes

  34. 26:23

    que eles mandavam buscar de fora que eram verdadeiras sessões literárias, note da pique Monteiro Lobato. tinha uma biblioteca vastíssima eles assinavam jornais e ali eles encontravam além dos eventos que eles promoviam eles se encontravam todas as noites não tinha televisão, cinema também era uma coisa não muito comum. eu lembro tinha conjunto de cadeiras que tinham vindo da Áustria, naquela época era comum ter essas coisas o jogo de vime austríaco funcionava muito, todos os teatros tinham. eu encaro a Sociedade

  35. 27:02

    de Cultura Artística como o núcleo formador da nossa Academia de Letras. o teatro aqui era super legal porque ele também era um grande ponto de encontro, chegava o domingo antes da matinê antes de qualquer coisa todo mundo se reunia no saguão do teatro dentro do bar que era o bar do seu Arnaldo, o Arnaldo Posse, a gente era muito amigo do Renê que era filho dele e a gente ficava sentado olhando as meninas chegarem para ver quem vem quem não vem aonde vai onde deixa de ir. todo mundo gostava de sentar lá para

    ver: Memórias e curiosidades
  36. 27:54

    paquerar as meninas bater papo comentar sobre o filme que geralmente era em duas sessões. então quem saía do filme sentava ali para tomar um lanche e os que estavam esperando terminar a primeira sessão ficava tomando um sorvete para depois entrar. você comprava um ingresso do cinema da matinê e tinha que dar o dinheiro para você comer um sanduíche depois e tomar uma caçulinha do Galvani porque era a famosa caçulinha que era uma bebida nossa, e a gente era sanjoanense até debaixo d'água a gente queria o que era nosso. falar do Bar Theatro é

  37. 28:32

    uma coisa prazerosa para mim porque o Bar Theatro na década de 50 era coqueluche em São João da Boa Vista. o bar aqui tinha uma coalhada fantástica e Bauru também era muito bom. eu era criança e vinha com a minha irmã meu pai minha mãe e era tradicional passar pelo bar. meu pai tinha táxi aí na frente uma perua de táxi aí na frente no fundo da igreja então ele era amigo das pessoas do bar e todo mundo a gente se conhecia lá e a gente vinha para comer a tal da coalhada e algum petisco possivelmente o tal do

  38. 29:17

    Bauru que era muito apreciado na época. e não era só a molecada eram adultos também que ficavam tomando alguma coisa bebendo alguma coisa eram músicos. o Pio o Nenê e o seu Nascipe ele tocava também e às vezes eles tocavam naquele saguão e nesse calçadão. mas era Bauru e os salgadinhos que trouxeram mais gente para vir até ele, no seu dia a dia e sempre com uma decoração carregada de teia de aranha de uma limpeza razoável mas que não afastava os clientes daqui do bar de jeito

  39. 30:06

    nenhum. a sala de múltiplo uso tem uma história bonita porque quando foi na planta original do teatro era para ser um bar, um estilo de bar como tinha nos grandes teatros de São Paulo do Rio de Janeiro aquele bar mais refinado para ser usado durante os intervalos dos shows porque você pensou que iria ter ópera e como ópera leva 4 horas tem dois intervalos longos então se você pensou isso que ia servir como se serve até hoje em São Paulo e no Rio não aconteceu nada disso. quando terminou a Cidade Cultural de Debates a Rádio Piratininga que era Rádio

  40. 30:46

    Difusora na época veio pra cá, por 5 anos o rádio funcionou nesse espaço. também tinha concurso de domingo concurso de dança de salão e era uma briga para ganhar aqueles concursos porque quando você ganhou um concurso de dança você era considerado pé de valsa chegava no baile você dançava com todas. portanto tinha uma atividade jovem aqui no entorno do teatro muito muito grande. se formou em São João um conjunto de jazz e de música popular muito interessante que tocava o Binho o Nim e o Antônio Paulo Ferrante e ele

  41. 31:31

    era um exímio pianista era uma coisa maravilhosa. daqui do teatro eles saíram para gravar um disco que eu nunca vi esse disco. e eles faziam as apresentações e ensaiavam aqui na sala do alto do teatro. também tinha a biblioteca Jaçanã Altair aqui na sala onde hoje é de múltiplo uso, ali funcionou uma biblioteca também. eu lembro da gente subir os degraus fazia muito barulho aquela escada de madeira aquela criançada correndo nas escadarias, a gente tinha medo de cair coisa

  42. 32:09

    de quebrar realmente que estava tudo muito belinho. e também a biblioteca muito carente mas funcionava ali. a Miriam foi fundamental para a parte cultural de São João sim muito porque ela era a alma lá do conservatório e ela dava aula de piano ela treinava os cantores líricos ela incentivava a questão do balé. 1949 por informação de que eu nem me lembrava — eu me formei em 48 e em 49 eu apresentei a peça de Chopin o Estudo Revolucionário. então ela cedeu espaço ela deu força ela treinou o pessoal

  43. 33:15

    para tocar ela incentivou essa vinda de gente boa pra dar aula, é fundamental o papel dela. 1953 foi inaugurado o Conservatório Guiomar Novaes e aí havia uma exigência que os alunos deveriam se apresentar rotineiramente e às vezes nós nos apresentávamos aqui. seu Emílio Caslini que já era o afinador de piano trabalhou anos com música era violinista, e Zezinho Andrade era aluno do conservatório também. e aí teve uma apresentação em abril de 62 que eu tenho fotos ainda disso, que eu estou tocando Sol 1000, eu

    ver: Guiomar Novaes
  44. 34:06

    tenho — eu sei que eu estava tocando Sol 1000 porque eu lembro. a Vânia Noronha foi minha aluna particular ela começou aos 4 anos mas tinha muito talento musical e tocava de ouvido então eu incentivava, apesar de que naquele tempo era tabu não se podia tocar de ouvido. a lembrança mais antiga que eu tenho do teatro é de um show do Roberto Carlos era uma época que estava estourando a Jovem Guarda. aí ele atrasou pra chegar porque claro veio de carro de São Paulo uma situação de estradas totalmente diferente do que é hoje, mas o teatro estava

    ver: Memórias e curiosidades
  45. 35:07

    lotado lotado lotado ninguém arredou o pé enquanto ele não chegou a coisa foi tão brutal tinha gente tentando arrombar as portas laterais. naquela época eu me lembro que houve uma falha de som numa das músicas não teve nenhum problema ele voltou cantou de novo e era uma agitação total. você imagina no auge da Jovem Guarda São João recebeu Roberto Carlos cantando "eu quero que vá tudo pro inferno" era o delírio do teatro "quero que você me aqueça nesse inverno e isso tudo mais o inferno". depois de alguns anos digamos uns 15 20

  46. 36:01

    anos até mais, na década de 60 final da década de 60 beirando 1970 foi quando eles venderam o bar e aí o bar passou a ter uma decadência muito triste não era a mesma coisa não tinha a mesma qualidade. com o advento da TV realmente o interesse por cinema foi decaindo decaindo decaindo ele foi ficando numa situação complicada. olha na década de 60 já estava bem decadente. imagine você que existia até uma casinha de cachorro perto do teatro para abrir na porta que era para brigar, aquele cachorro chamado amigo, um cachorro rajado muito

    ver: Memórias e curiosidades
  47. 36:49

    bonito que o povo apelidou de amigo, era o amigo, famoso cachorro amigo. aquele cachorro que apanhava enterro ele dormia aqui na porta do teatro e tinha a casinha dele e a população ficava comovida e todo mundo que vinha comer seu Bauru no teatro pegava um pedaço do lanche e dava pro cachorro e o cachorro de tanto comer de tanta coisa que davam ele morreu diabético. ouvi dizer que tinha muita coisa aí atrás muita coisa preciosa outras lixo e material inflamável e nós estamos aqui, as cadeiras eram todas de

  48. 37:28

    madeira. e depois de algum tempo conforme fui crescendo dava aquela sensação de pena de ver que estava se deteriorando. então é um teatro vivo e que teve como a vida de qualquer pessoa seus altos e baixos teve a sua fase dark e muito maldito, falava que o teatro era pé-vermelho que era uma coisa que você saía coçando não aguentava muito perigoso só tinha filmes de classe baixa. eu frequentava aqui mesmo com a minha visão de criança ele me parecia abandonado, as cadeiras estavam já desgastadas e o aspecto não era muito

  49. 38:18

    bom não e tudo sujo era sempre sujo e as pessoas já faziam chacota do teatro que era o cinema de segunda classe que passava os filmes que não valiam nada. eu lembro claramente das placas falando de filmes assim de kung fu uns filminhos terríveis então era uma coisa assim bem deprimente. tinha aquele lugarzinho fechado uma coisa meio escura porque tinha os filmes impróprios então para mim era um lugar meio proibido para ir. o teatro para mim era um mistério, eu vi aquele teatro belinho cheio de sujeira

  50. 39:00

    encardido muito encardido parecia assim uma chapa de fritura mas era uma impressão ruim, o teatro nessa época para mim não era — eu achava ele escuro achava um lugar muito escuro. a frente do teatro transformou num bar era o bar do teatro como qualquer outro bar onde tinha o balcão vendia-se bebida alcoólica ficavam pessoas caídas, enfim era um ponto bastante popular então foi o início da decadência pior. passou por um processo sem nenhuma reforma sem nenhum investimento ao longo de 30 40 anos onde ele foi

  51. 39:45

    cinema então ele estava eu diria pronto para ser demolido. e nos dias finais da vida do Oliveira Neto, ele perdeu a esposa dele que ele amava a Dona Celisa, esposa dele era cantora de ópera e quando ela veio a faltar em 79 que ela teve um infarto morreu de repente para ele desmoronou tudo ele não teve mais interesse. na época o Nelson era prefeito e ele declarou o teatro de utilidade pública para impedir que isso aqui viesse abaixo, tinha especulações que isso aqui ia virar um supermercado.

    ver: Restauro
  52. 40:25

    talvez essa condição decadente é a própria sobrevivência do teatro. nós perdemos esperança em relação ao teatro, todo mundo ligado à escola aluno: que vai acontecer com o teatro? eu tenho impressão com a Semana Guiomar Novaes — instituiu-se a primeira semana lá no Cine Ouro Branco, a segunda semana no Ouro Branco. na segunda semana Guiomar Novaes veio, na primeira não na segunda, queriam ter um lugar e o teatro não estava em condições. e o teatro nas duas primeiras ela esteve presente na semana, isso

  53. 41:17

    foi muito emocionante inclusive que ela recebesse essa homenagem, homenageou a sua cidade natal com a sua presença. e a semana está aí até hoje. Guiomar Novaes é o grande nome de São João da Boa Vista sem dúvida é o primeiro nome que surge porque ela que levou mais longe o nome do Brasil como pianista. ela elogiava muito a acústica da casa, ela se apresentou nos teatros mais importantes do mundo, no Scala de Milão lá em Nova York. ela ficava muito sentida da relação que as pessoas de São João comentavam dizia que ela não

    ver: Guiomar Novaes
  54. 42:07

    reconhecia o seu nascimento aqui e isso era uma verdade, era uma mentira. eu trouxe uma sobrinha e nós nos sentamos no primeiro andar e havia meia casa apenas e ela se apresentou e eu não esqueci mais. ela sempre estava preocupada em mudar essa imagem que os próprios conterrâneos tinham dela, eu percebo isso nas entrevistas que ela faz para o jornal Município, principalmente o Município. ela ouviu eu tocar o concerto do Tchaikovsky na primeira semana uma peça de 45 minutos, aí no dia seguinte ela me chamou — ela

  55. 42:54

    ficou hospedada na casa da minha tia Madalena — ela me chamou lá e me deu uma aula que quase uma bronca, como eu tinha tocado do começo ao fim todos os trechos ela lembrou perfeitamente todos os detalhes, algo que eu não seria capaz de lembrar todos os detalhes de uma obra de 45 minutos de um concerto. ela lembrou tudo que eu havia feito e me deu uma aula formidável de 3, 4 horas explicando todos os detalhes que eu fiz e como eu poderia fazer melhor.

  56. 43:56

    eu assumi o meu mandato como eu disse em 1983 e naquela época já tinha assim algumas informações e boatos que o teatro seria vendido. mas quando eu assumi a prefeitura nós estávamos num momento muito difícil um período de inflação. então a história da ameaça da greve de fome foi porque de repente a conversa de que o teatro realmente ia ser vendido para virar estacionamento ou supermercado ou qualquer outra coisa era muito forte. e num regime capitalista logicamente que o dinheiro pesa muito

  57. 44:57

    mais do que os valores da cultura pelos quais a gente lutava. no meado do ano caminhando pro final do ano de 83 ele realmente foi colocado à venda. e é um terreno que fica num lugar muito valorizado, demorou para aparecer interessados, na época supermercado, igreja evangélica, estacionamento de banco. então a gente se sentiu assim de repente no limite da questão. eu comecei a pensar o que poderia ser feito e aí houve por aí greve de fome aquela coisa então

  58. 45:49

    eu de repente armei, ameacei de subir lá na janela me amarrar e ficar lá em cima na janela fazendo greve de fome enquanto essa ideia não fosse superada eu não iria descer. então eu armei para fazer tudo isso, daí a TV Cultura veio para querer entrevistar e tal mas felizmente não foi necessário. a gente passa e vê aquilo não é meu mas eu não quero que desmanche porque é nosso, é um patrimônio do povo. essa foi a grande luta, a gente fala luta do povo, na verdade luta daquele povo que gosta de artes

    ver: Restauro
  59. 46:30

    que gosta de ver o seu patrimônio histórico preservado. uma vez eu trouxe o Sady Cabral para ser jurado de carnaval e ele quis conhecer o teatro e eu falei: nossa você sabe que a gente tem teatro? não só sei como trabalhei lá. e quando ele entrou aqui ele teve uma crise de choro porque o teatro estava destruído e ele pegou o prefeito na rua e falou o "bicho" pro prefeito daquela época, achando que absurdo era esse deixar acontecer isso com o teatro. a Dercy Gonçalves fez a mesma coisa aqui do palco naquele palavreado dela, uma

  60. 47:16

    coisa muito respeitosa, ela acabou com todo mundo porque não cuidavam do teatro como deveria ser cuidado. a população mais ligada à cultura que tinha mais conhecimento da história do teatro e da sua importância realmente estava mais mobilizada no sentido da sua preservação, mas a grande maioria não tinha essa noção não sentia nada absolutamente nada. meu sentimento ia para outro lado que eu não me lembro qual era mas o teatro infelizmente não tinha essa importância para mim. São João da

  61. 47:56

    Boa Vista sempre foi um grande centro de produção cultural, de repente a possibilidade de perder uma referência como essa realmente era chocante. eu sou dessa época da campanha da busca de alternativas, eu vi eu assisti, foi minha primeira vez que eu vi o teatro tentar ser salvo. a ideia de se fazer o abaixo-assinado veio do Beraldo, do Sidney Beraldo, que ele nos disse que ele precisava de apoio popular para poder fazer alguma movimentação nesse sentido e que precisaria ser levado um abaixo-

  62. 48:40

    assinado pra Câmara Municipal com pelo menos 2000 assinaturas. e saímos aquele grupo de jovem de gente da dança da música do canto da arte plástica do balé do teatro, todo mundo saía nas avenidas fazendo passeata em volta da catedral pedindo para que o prefeito tombe o teatro. algumas pessoas de boa vontade e artistas com alma de artista não deixaram morrer o teatro. então nós saímos e fomos à rua e em menos de duas semanas nós tínhamos as 2000 assinaturas. tivemos um dos pioneiros processos de participação popular nas

    ver: Restauro
  63. 49:23

    decisões das políticas públicas dos planos dos programas dos projetos. nós contamos aí também com uma boa vontade do próprio proprietário Dr. Oliveira Neto que se convenceu e nós acabamos adquirindo. nessa ocasião em que foi feito o negócio com o prefeito Beraldo, ele no fundo do coração isso eu sentia ele queria que ficasse, ele falava: é, pode fazer isso pode fazer aquilo, mas não tinha grandes interesses de montar um negócio diferente no fundo não queria.

  64. 50:05

    não tínhamos todo o dinheiro suficiente, nós acabamos fazendo uma permuta, uma parte nós demos em dinheiro outra parte nós trocamos por imóveis de propriedade da prefeitura. e aí eu acompanhei muito de perto toda a transação com o Dr. Oliveira Neto, acompanhei porque a gente divulgava através da assessoria. a primeira etapa foi comprada pelo Beraldo na administração dele no final de 83 começo de 84 e depois em 85 veio a compra da segunda parte que seria o fundo do palco para trás. éramos três em torno de uma mesa,

  65. 50:55

    "três que a vida na sua trama de ilusão perdida uniu no mesmo afeto e na viuvez: um músico um pintor e um poeta. éramos três. o primeiro falou: veio da melodia de um noturno a mulher que me fez triste assim, amei-a como quem ama a fantasia e ela sendo mulher fugiu de mim. hoje tenho a alma como um piano vivo que mão alguma acordará talvez, e é por esse motivo que eu sou mais desgraçado que vocês". e o Joaquim Melo, Joaquim Augusto Costa e Melo, um grande arquiteto amigo e um artista, falou: Marcondes tudo bom, eu preciso fazer um convite para você.

    ver: José Marcondes
  66. 51:58

    ah que convite Joaquim? o Beraldo o prefeito está formando aí uma equipe para o estudo sobre o restauro do Teatro Municipal e ele me convidou para coordenar isso, eu gostaria muito de contar com você na equipe. logo que nós adquirimos nós nomeamos uma comissão de especialistas nessa área com o Joaquim Melo. foi bom, eu me sinto honrado e pode contar comigo. e foi o que aconteceu. aí eu falei para ele naquela mesma noite sobre o João Batista Merlin que estava voltando para São João e a minha mãe que comentou dele que ele

  67. 52:39

    tinha restaurado o Palácio do Catete a parte de metais de lustres, e ele por acaso apareceu no apartamento da minha mãe em Campinas e a gente começou a conversar eu contei a história toda do teatro e ele se entusiasmou e acabou vindo pro grupo também. então ficou Joaquim, eu, Merlin e mais o Nilson Zenun que já era engenheiro da prefeitura e a Ana Laura que estava terminando um trabalho de mestrado em Campinas como arquiteta. nós reuníamos quase que todas as noites lá no salão vermelho da prefeitura e ficávamos

    ver: João Batista Merlin
  68. 53:20

    até 2, 3 horas da madrugada fazendo levantamento de todos os dados possíveis do Teatro Municipal. ele sabia que ele sozinho não poderia fazer nada mas ele era um líder carismático que sabia envolver as pessoas e ele sabia em que fontes ele iria pegar o que era necessário para melhor ser o teatro restaurado. porque nós tínhamos a boa vontade nós queríamos, São João queria o teatro, mas para São João voltava talvez o João Merlin que vinha com essa mesma paixão nossa e ao mesmo tempo com conhecimentos técnicos científicos e

  69. 53:59

    conhecimentos também de pessoas envolvidas nessa lida. o Merlin conhecia várias pessoas no Rio, Carlos Lafayette de Barcelos que era diretor técnico da FUNARTE e responsável técnico pelo Municipal do Rio. então nós fomos pro Rio com esse objetivo, ele selecionou os espetáculos mais interessantes que tinha no Rio naquela temporada e a gente ficou uma semana, cada dia a gente passava o dia inteiro naquele teatro. qual que era a ideia? entender de teatro, entender como

  70. 54:37

    que de fato ele funcionava. porque quando o Lafayette viu o nosso projeto ele falou: olha vocês têm que primeiro entender de teatro para depois começar a fazer o projeto, desde da plateia até o último subsolo, o que como é que funcionava o que servia cada coisa cada efeito. e à noite a gente ia assistir aquilo tudo funcionar com os atores e foi uma experiência fantástica mesmo, assisti Caramuru chamado O Pirata do Rei. João Merlin foi a pessoa que detalhou como deveria ser feito o

  71. 55:22

    restauro ele fez as plantas todas com auxílio de pessoas amigos dele do Rio de Janeiro que eram pessoas extremamente profissionais na área de restauração. ele amava São João e ele se desdobrou para trabalhar pelo teatro até que encerrou os estudos e o projeto ficou pronto. ele tinha sonhos para o teatro, sonhos para decorar o teatro até muito estranhos eu ficava um pouco assustado, eu próprio não entendia muito bem o João quando falava de Teatro Municipal porque ele via a

  72. 56:04

    possibilidade de trazer espetáculos naquela época. hoje a gente sabe que o sonho dele foi realizado mas ele via possibilidade de trazer espetáculos que ninguém nem sonhava, falou: esse cara é louco. ele foi à Delegacia de Ensino — porque eu era o delegado de ensino na época — falou: seu João estou precisando de 12 bandeiras do Brasil. o que você vai fazer com 12 bandeiras do Brasil? ah o teatro vai ser tombado e vai sair no dia tal o ato de tombamento e é costume quando se tomba um imóvel se coloca em cada janela uma

  73. 56:42

    bandeira do Brasil que é patrimônio público. aí eu consegui 12 bandeiras pedindo às escolas, Merlin, e o mastro deixa por minha conta. o Montoro chegou aqui de ônibus com uma caravana muito grande e entrou visitou conheceu o projeto de perto foi saudado, tínhamos vários segmentos de arte de cultura representados naquele dia. ele ficou muito impressionado em um teatro que era de 1914 que estava assim muito precário muito maltratado mas que estava em pé. eu estava na comissão de recepção lá no saguão ele veio conhecer o prédio, ele

    ver: Linha do tempo
  74. 57:34

    olhou ele viu — e o prefeito era o Sidney Beraldo — então eu tive certeza de que o prédio seria preservado. isso tudo ajudou muito para que nós pudéssemos ter um processo muito bem feito e com isso garantirmos a aprovação desse tombamento o que aconteceu por volta de 87. e uma das grandes brigas era a questão do subsolo do teatro, da estruturação do teatro das fundações que o João não queria que entrasse escavadeiras carros, que senão isso poderia destruir totalmente o

  75. 58:22

    teatro. e a cidade inteira falava: vai cair esse teatro vai cair porque a máquina está lá dentro e vibra, e todo mundo achando que a gente era louco mas a gente tinha esse respaldo desse pessoal do Rio que era super especialista nisso. e tanto é que o recalque que eles tinham calculado — recalque é o afundamento da terra — era previsto até 6 cm, quando a gente acabou tudo o recalque foi de menos de 0,5 cm quer dizer foi muitíssimo bem feito. houve a etapa que eu te falei no final da administração do Beraldo, depois

  76. 59:05

    veio o Dr. Gastão que também se dispôs a investir. e aqui no teatro era muito bacana sempre tinha uma novidade a gente vinha ver uma hora tinha acontecido isso outra hora tinha acontecido aquilo. então 1992 foi reinaugurado, foi só aquela entrada ali toda novinha, aí eu me apresentei com a Vânia Noronha seu George Bariola Coral Vozes e vários artistas da cidade músicos e foi uma noite muito bonita, tudo entusiasmados só tinha aquela sala pronta, 1992 foi isso, mas todo mundo muito feliz que o teatro já estava tendo

  77. 59:46

    vida novamente. quando nós assumimos a prefeitura alguns prefeitos antes de nós tinham dado a sua contribuição mas faltava muita coisa a ser feita e nós tínhamos naquele momento muita dificuldade na prefeitura. aproveitamos a Lei Rouanet, convidamos centenas de pessoas para nos ajudar através da Fundação Oliveira Neto a angariar recursos através do benefício fiscal para que nós pudéssemos começar a revitalizar e concluir essa restauração. sentiu-se a necessidade de criar uma

  78. 1:00:47

    entidade que pudesse captar recursos porque o poder público não ia aguentar tocar essa obra, quer seja com a ajuda do estado da federação, não ia aguentar. eu fui convidado pelo prefeito Laert para fazer parte da diretoria executiva da Fundação Oliveira Neto que era uma fundação que tinha sido criada pela prefeitura para tentar resgatar o teatro que naquele momento se encontrava extremamente depredado estragado. quando eu entrei no teatro a primeira vez a primeira sensação que eu tive é: não vai dar, não vai dar para fazer porque tinha

  79. 1:01:25

    muito para ser feito. nós tínhamos só o foyer levemente acabado e o resto eram depósito aqui dentro de lixos e bocas de lobo da prefeitura, até urubus a gente fotografou aqui dentro porque estava uma lástima. o prédio tinha rachaduras que a gente passava o braço e fazia tchauzinho lá fora. e o teatro ele tinha um cheiro muito característico era um cheiro de coisa velha mesmo, que tinha ficado fechado muito tempo, não era de mofo era um cheiro único de coisa velha que

  80. 1:02:05

    você entrava e já sentia aquele cheiro. no começo foi muito difícil a gente levantar documentos do teatro, plantas que já existiam, documentos fotos porque isso era uma coisa super importante pra restauração. e aí tiveram um papel fundamental o Zé Rubens Blasi, o Carioca, e a Verinha Dib que comandaram a fundação durante vários anos. e aí conseguiu se levantar recurso, o primeiro projeto aqui em São João aprovado que conseguiu receber recursos da Lei Rouanet foi o projeto do teatro e eles eram apaixonados então era

  81. 1:02:45

    muito bom vê-los juntos porque os olhos brilhavam eles tinham uma paixão por fazer. aqui eu lembro de ver o Carioca trabalhando sábados e domingos prestação de contas. o Tribunal de Contas um dia me chamou e disse: olha eu estou glosando, reprovando as suas contas e você vai ter problema sério lá no Tribunal de Contas. aí eu disse: mas por que está acontecendo? porque você fez o balanço você me apresentou demonstrativo você não colocou o teu salário você não colocou o salário da diretoria então são

  82. 1:03:23

    três anos que vocês estão trabalhando você está sonegando o salário seu do José Rubens e da Vera Dib. eu disse a ele: meu amigo nós não recebemos nada nós trabalhamos há 3 anos aqui nós nunca cobramos nada não recebemos nada somos voluntários. essas pessoas trabalharam voluntariamente se dedicaram no sentido não só de nos ajudar a elaborar os projetos mas também fazer a prestação de contas para os órgãos competentes em relação a essas doações. e foi lá para 95 96 realmente que o teatro conseguiu o dinheiro através da Lei Rouanet e aí

  83. 1:03:59

    a reforma aconteceu de fato. eu lembro de uma dedicação incrível do pessoal de obras principalmente da Ana Laura que era assim incansável, a gente ia todos os dias ao teatro para ver o que faltava aqui o que faltava ali, e era um documento que faltava na Lei Rouanet. e o Lúcio era o mestre de obras muitíssimo competente, ele sabia lidar com as pessoas muito atencioso aos detalhes. até convencer a sociedade que a Fundação Oliveira Neto era que o dinheiro ia ser aplicado no teatro para fins

  84. 1:04:43

    lícitos morais éticos e que eles não iam ter problema com o fisco foi uma luta danada. até que de repente a gente também teve um período em que o teatro inacabado ele foi franqueado, as pessoas começaram a entrar inclusive aconteceram até exposições de arte aqui dentro. e aí eu aproveito esse saguão para fazer uma revelação: Qual é o melhor lugar para eu revelar Fernando Furlanetto? ninguém queria saber de fazer nada pelo Fernando Furlanetto e era o centenário de nascimento dele, é o teatro, vamos para o espaço mais democrático

  85. 1:05:27

    possível. a primeira vez que eu entrei no teatro depois disso foi quando teve uma Bienal de Artes aqui que eu me lembro que estava tudo em obra e ficou até bonito naquela decadência toda, é bonito de recordar esse entusiasmo das pessoas com o seu teatro. a gente queria que abrisse o teatro pro povo ver como é que estava lá dentro que ele já estava para iniciar o processo de restauro propriamente dito. eu estava ajudando a carregar os quadros, carregava quadro carregava quadro de repente eu me vi no palco e tinha um

  86. 1:06:04

    tablado eu subi no tablado e olhei o teatro, aí eu senti um frenesi, não sei de outras vidas. naquele frenesi não saiu nada eu me lembro. eu participei de uma Semana Furlanetto aqui onde no chão da plateia um artista plástico colocou um imenso espelho maravilhoso. acho que a primeira vez que eu entrei no teatro foi durante a Semana Fernando Furlanetto que o Fritz era o curador, então nossa aquilo eu achei fantástico o espaço porque ele não tinha cadeira não tinha nada e era um espaço imenso aqui no meio da cidade. o

  87. 1:06:45

    Fritz conseguiu fazer uma semana usando o teatro inteirinho. a proposta das pessoas da Secretaria da Cultura da Diretoria de Cultura, o Vanelinho, era de que a gente trouxesse essa arte contemporânea para essa exposição. e eu tive a sorte o apoio dos maiores artistas brasileiros da arte contemporânea inclusive se sensibilizaram com essa ideia de fazer um movimento para fortalecer a restauração do teatro. teatro espetacular, e era lindo porque o teatro é bonito, você tem uma energia nele que é uma

  88. 1:07:34

    coisa absurda. e ele estava todo assim nada e ao mesmo tempo tudo, então ele estava desconstruído e ao mesmo tempo tinha uma construção, então eram as obras as instalações. acabaram surgindo duas obras que continham um conteúdo de nu, um deles era uma vagina de alguns metros de comprimento um close, e o outro era uma figura de um nu masculino frontal de 3 m de altura de corpo inteiro. então assim que os apoiadores e o poder público o prefeito tiveram contato com esse trabalho imediatamente eles pediram para suspender tudo.

  89. 1:08:26

    as pessoas da cidade nem tinham muita ideia de tudo aquilo que a gente estava fazendo criava uns estranhamentos. aí o prefeito na época convocou uma comissão de pessoas ligadas a vários setores da sociedade para eles poderem avaliar se aqueles trabalhos que estavam lá iam de alguma forma ferir a ética ou os costumes, mas no final acabou dando tudo certo. foi muito tenso esse processo, os artistas ficaram indignados já queriam fazer um movimento mas no fim a gente conseguiu mostrar que não era mais nada

  90. 1:09:11

    além de arte de ótima qualidade, foi tudo bem no fim. processo de construção de reforma, e aí eu peguei o teatro já tinha andado um tanto as pessoas já podiam entrar já tinham cadeirinhas desmontáveis branquinhas que a gente sentou. e aí aconteceu um festival de teatro aqui foi a primeira vez que eu apresentei uma peça bem aqui e era A Tempestade do Shakespeare. e aí começou a peça 5 minutos — 5 minutos eu sei porque foi traumático — e a caixa de luz pegou fogo. então eu me lembro

  91. 1:10:06

    bem disso, de entrar para essa impressão interna de me apresentar no teatro, e aquele teatro com aquele chão de cimento as cadeiras de bar um monte de plástico tampando as janelas para não entrar luz uns tapumes de madeira com pichações. agora eu juntei duas historinhas, dos Três Porquinhos e do Lobo Mau e da Chapeuzinho Vermelho e fundia as duas e o Lobo Mau dava conta das duas histórias. e nós montamos a peça ali e eu atuando na sonoplastia também e foi muito legal. nós

  92. 1:10:44

    pegamos o primeiro lugar e o público foi muito impactado com a peça primeiro por causa do teatro, está dentro de um teatro desse grande meio quebrado ainda, e o texto era muito engraçado era uma piada em cima da outra não dava tempo das pessoas se refazer já vinham atropelados eles começavam a rir. e aí pegou fogo acendeu a luz branca de emergência e a peça aconteceu apesar disso tudo, apesar de tudo a gente não pode parar. então os meninos vinham apresentavam davam as falas de uma

  93. 1:11:21

    maneira sofrida porque eles estavam arrebentados porque não tinha trilha a iluminação acabou tudo se perdeu porque a magia se perdeu numa luz branca que chapou absolutamente tudo lá, eles choravam aí eu ficava consolando aí eles entravam. e eu fiz uma trilha sonora quando vi eu comecei a cantar à capela porque eu tinha que dar ritmo senão a cena iria se arrastar. então essa foi minha primeira experiência. pra gente estava só o medalhão com Carlos Gomes lá e ainda tinha assim

  94. 1:12:04

    manchado uma pincelada passando por cima parecia que foi muito grosseira a maneira como eles pintaram deixando só aquele medalhão. essa pintura lateral foi retirada porque quando o teatro volta-se mais para o cinema eles colocaram um telão na frente e acabaram pintando os trechos em volta, pintando de branco mesmo. era uma coisa esquisita só aquilo parecia que não tinha um acabamento. aí quando apareceu aquela foto eu falei: não, deve ter coisa aqui embaixo tem que ter. perguntei no CONDEPHAAT se eles conheciam

  95. 1:12:42

    alguém que pudesse nos auxiliar no resgate de pintura embaixo de tinta e indicaram o Olandim. e ele era a pessoa que naquele momento era a única pessoa que poderia fazer esse serviço, uma das pouquíssimas no Brasil. e ele não aceitou a primeira proposta que a gente fez, que eu fiz como diretor financeiro em função do caixa que a gente tinha, e vim chorar pro Tenente Fernandes: ô precisamos fazer isso restaurar. mas acontece que o grande profissional, e o Tenente Fernandes quem é? nós demos o

    ver: Restauro
  96. 1:13:18

    nome dele o endereço, falou: deixa que eu vou lá conversar com ele. mas quando ele entrou na sala, esse restaurador esse cientista ele era de uma confraria que o Tenente Fernandes participa, da Maçonaria, e eles se entenderam lá como irmãos e a vontade de se ajudar que eles normalmente têm nessa hora falou mais forte. daquele momento ele nunca mais falou em orçamento: quanto que a fundação tem? tanto. ok, semana que vem estarei lá. e não tinha acesso lá em cima, em cima da boca de cena,

  97. 1:13:55

    então tudo que a gente conversava ia olhando daqui de baixo para lá ou de uma das galerias tentando chegar mais perto. mas ele falava: eu tenho que ter acesso senão não tem como. e eu conversei com o Lúcio e o Lúcio era mágico, de um dia pro outro puf estava pronto o andaime. e o Olandim subiu lá tá tá tá tá aqui a pintura, aí foi uma alegria só. agora a gente não tinha ideia até que ponto ia ser, então foi uma fase muito linda porque cada dia se descobria mais e fomos vendo que tinha cor que tinha

    ver: Restauro
  98. 1:14:31

    detalhes, que não era só os arabescos, ele tinha uma graça uma leveza. foram no escritório a Ana Laura e o Olandim e ele achou que eu era capaz de pintar e eu falei: tudo bem. aí eu peguei vim aqui, falei: vamos fazer. aí eu fiz o que eu pude, a gente foi pintando dia por dia seguindo a orientação dele a técnica de restauração adotada por ele. nós fomos fazendo, crianças pegavam pedras restos de tijolo e tentava acertar o olho do Carlos Gomes então servia de pontaria.

  99. 1:15:16

    especialista em restauração de rostos de quadros antigos. aí entramos com a parte de decapagem que é uma técnica de descascar a parede e descobrir o que está atrás escondido, foi lindo foi lindo mesmo, e foi o lugar mais visitado porque todo mundo queria ver mais de perto aquela obra aparecendo. foi muito lindo eu lembro de subir no andaime, como gosto de pintura de desenho de ver eles fazendo essa pintura do café as mudas de café, e também de subir no andaime e observar de pertinho o restauro era delicioso. e

  100. 1:15:59

    a gente conseguiu restaurar — primeiro ele na verdade que foi um dos primeiros que a gente conseguiu restaurar depois veio vindo todo o restante. o Carlos Gomes foi escolhido porque ele era o herói nacional, na fachada você tem os grandes da ópera inclusive e o centro de tudo seria o nosso brasileirinho, o nosso nacional. por 18 anos o teatro ficou fechado, fechou oficialmente 84 oficializada a compra e depois ele só foi reabrir realmente para o público em 2002. então a gente tinha

  101. 1:16:49

    muita gente aqui dentro e cada um fazendo uma coisa que interferia no trabalho do outro, por exemplo o cara vai colocar o piso aqui na plateia só que o outro está pondo forro, então como é que? então você tinha que coordenar quando ia sair um para entrar outro e todo esse malabarismo mesmo para que chegasse no final na data e tivesse tudo concluído. chegou um momento em que a coisa começou a tomar corpo mesmo a gente foi vendo a coisa crescendo crescendo crescendo chegar no que nós temos hoje. eu fiz uma planilha que

    ver: Linha do tempo
  102. 1:17:26

    ficava presa na minha mesa com cada detalhe com cada empresa com cada coisa concluída e eu tenho isso até hoje aquele rascunho todinho anotado inteiro, riscado concluído concluído até chegar no último dia. 10 horas da manhã a fila dava volta no teatro, o que fazer, pessoal fazendo fila lá fora a gente tirando o pó com o único aspirador que a gente comprou e tirando o plástico das cadeiras uns 10 minutos antes de abrir as portas. nossa foi uma emoção indescritível para mim, todo mundo queria vir não pelo

  103. 1:18:13

    espetáculo mas porque o teatro estava sendo inaugurado. então foi tudo muito corrido e pouquíssimas pessoas, todo mundo queria entrar e não cabia, tinha uma expectativa muito grande das pessoas de como elas iam encontrar o teatro, que a gente tinha que separar um tanto do teatro pras autoridades isso é natural e o resto dos ingressos a gente tinha que distribuir de alguma forma. e na entrada também foi um tumulto e foi um acontecimento social. aí nós chegamos à conclusão que o melhor seria tirar

  104. 1:18:51

    senhas, as pessoas fariam uma fila tirariam as senhas durante o dia e a gente faria a inauguração e todos os outros dias da Semana Guiomar Novaes. então isso foi uma coisa que já marcou de alguma forma como a gente queria administrar isso aqui de uma forma democrática sem privilégios. quando nós fomos fazer a Semana Guiomar Novaes toda a grade de apresentações foi cuidadosamente escolhida para fazer frente à magnitude da restauração do nosso teatro. é o Fernando Calvoso que fazia parte da secretaria do estado fez uma

  105. 1:19:35

    programação maravilhosa e foi uma noite muito bonita muito bonita mesmo, os artistas que tocaram naquela noite se encantaram com o teatro todos eles, então foi uma comoção mesmo tanto dos artistas como do público que estava aqui. eu acho que foi um presente pra população naquele dia, realmente. mas eu acho que foi a Semana Guiomar Novaes de maior público e nós pusemos um telão lá fora pusemos uma arquibancada pras pessoas que não conseguissem entrar pudessem também fazer parte do show e estava uma coisa

  106. 1:20:16

    grandiosa, a gente olhava e falava: nossa olha o teatro, olha o teatro restaurado pronto. deu realmente bastante orgulho de ver aquilo funcionando e com o acabamento que ele estava. mesmo é difícil a gente agradar 100% das pessoas claro que houveram algumas críticas, algumas pessoas acharam que tinha que ser diferente de um jeito ou de outro. no dia seguinte a gente foi pegar os jornais achando que iam falar nossa como ficou lindo, só se falava de ingressos, até nos jornais saiu uma linha

  107. 1:20:50

    falando que lindo que ficou o teatro. isso para nós que batalhamos pela cultura local foi uma grande conquista, foi uma realização de um sonho praticamente que a gente viu acontecendo ali se materializando. nossa foi uma maravilha a gente ficava assim: nossa como eles conseguiram fazer essa maravilha. bom aí a gente tem que fazer o teatro e a gente tem que fazer espetáculos e tem que tocar isso aqui, para funcionar tem que contratar funcionário tem que comprar lâmpada papel higiênico sabonete. como é que nós

  108. 1:21:53

    vamos mandar cada compra dessa pro Tribunal de Contas? e daí nós nos sentamos com a administração pública. a ideia de fundar a AMITE que é uma associação, mas a AMITE nasceu de uma coisa muito gostosa, nasceu na minha casa. o nome fui eu que criei de uma brincadeira: amici, AMITE, amigos do teatro, AMITE que é uma palavra meio italianada. a gente acredita que o teatro tem que ter uma administração independente da prefeitura, porque entre quem entrar seja o prefeito que for a administração do teatro está aqui. então a

    ver: História
  109. 1:22:34

    gente prospectou uns modelos que existiam, do Teatro São Pedro, do teatro de Ribeirão, em São Paulo, no próprio Teatro Municipal, onde existem associações de amigos que fazem a gestão. e antes dele estar funcionando só existia a frente dele e tinha por exemplo muita exposição de trabalhos manuais exposição de quadros e no final do ano tinha a promoção social vendia panos de prato enfim artesanato e as pessoas tinham o teatro como uma coisa para ser explorada. o sanjoanense queria

  110. 1:23:18

    aproveitar o teatro, como não foi vendido foi uma vitória para o povo sanjoanense e todos os artistas locais queriam aproveitar esse espaço, por isso que tudo acontecia aqui dentro e que era de todo mundo e podia usar do jeito que bem entendesse. e aí chegou a AMITE com um monte de regra que não podia, porque o teatro ele tinha que ser cuidado, todo mundo tinha que cuidar dele não usufruir e explorar o teatro, pelo contrário cuidar dele como um bem público de todo mundo e que precisa ser preservado. não tinha um associado, tem que começar

  111. 1:23:53

    a ter sócios, não tinha um sequer, não tinha um evento acontecendo. e de onde que a gente consegue fazer isso acontecer, que aquele pessoal está lá fazendo achando que é dono do teatro que não deixa ter exposição de artesanato que não deixa isso e aquilo. a gente patinava mas com as dificuldades a gente foi achando os caminhos. o primeiro processo de fidelização arrumar associados fazer as carteirinhas foi feito o logo, nós fizemos um plano de gestão absolutamente profissional como se fosse uma empresa. e nós fizemos

  112. 1:24:32

    um projeto que era a profissionalização do voluntariado. as pessoas que estão no poder que assumem o poder não gostam de abrir mão do poder, não daqui que eu faço tudo, isso é totalmente incompatível com o exercício da democracia. não adianta você fazer as coisas que fiquem dependentes do poder público, é fundamental que vocês façam as coisas que a própria sociedade toque e faça. quanto mais você enraizar os programas projetos equipamentos públicos serviços na sociedade mais duradouros eles vão ser. a

  113. 1:25:14

    AMITE ela serve para isso, para olhar o que precisa fazer de reparo o que precisa fazer de manutenção como que o teatro está funcionando como não está funcionando, tem que ter uma agenda organizada de eventos e tudo mais. eu acho muito bacana esse trabalho voluntário às vezes mal interpretado às vezes criticado injustamente. se você depender de querer ter uma atividade cultural só calcada em dinheiro público isso não existe. mas a prefeitura mantém as contas de energia o ar condicionado então a manutenção do teatro é a

  114. 1:25:55

    prefeitura que faz. eu estava num final de um evento não de grande proporção, nisso para todas as pessoas saírem demora um pouco até um bate-papo falando sobre o espetáculo, então eu estava no segundo pavimento. nisso vem um chamado, mas não foi um sussurro nem um grito foi um chamado normal tipo "o William" e eu respondia: oi, oi, oi. mas não tem ninguém aqui dentro, quem que vai me chamar aqui dentro? e peguei: eu vou verificar às vezes deve ter alguém me chamando

  115. 1:26:52

    embaixo. e cheguei até na porta lateral aqui na Antonina Junqueira eu abri a porta e não tinha ninguém. eu falei: foi um chamado. algumas pessoas falam que vêm algumas coisas diferentes que não fazem parte do cenário habitual do teatro e pode ser que vejam mesmo. eu trabalhei em hospital e eu vi algumas coisas que não eram do hospital então eu acredito que aqui também tenha, mas com certeza deve ter energias muito boas. olha entrar nesse teatro sozinho depende da hora do dia, de dia é uma coisa de noite é outra, como

  116. 1:27:33

    geralmente é tarde às vezes eu ajudo a fechar aqui, a gente sente que esse teatro ele é muito povoado, muito assistido muito frequentado, tanto quando ele está cheio quanto quando ele está vazio. mas é uma coisa muito bacana ele tem uma atmosfera ele tem um clima meio único que eu não sinto em nenhum outro lugar. um prédio desse porte um teatro de 100 anos e você acha que não tem alguma coisa? as pessoas que me chamam aqui dentro eu não respondo por causa dessa história. então falou: pô mas a gente está te chamando aqui

  117. 1:28:11

    e você não responde. aí para todo mundo eu conto essa história. bom o Cineclube Beloca ele é um espaço de apreciação cinematográfica, eu costumo dizer funciona na sala Dilo Gianelli lá em cima do teatro que é inclusive o nome de um importante cineasta aqui de São João que fez algumas produções aqui na década de 50. foi pela primeira vez falado pelo Gil Sebim quando ele presidiu a AMITE e ele sabia que eu tinha um histórico de trabalhar com cineclubismo e ele pediu para ver se eu conseguia fazer um

    ver: Memórias e curiosidades
  118. 1:28:57

    projeto para ser implantado em algum lugar do prédio do teatro. nós tínhamos uma meta que era o máximo possível o teatro ser ocupado. era uma proposta de não de massa, não era para fazer um cinema de massa, era para um cinema para poucas pessoas virem e terem uma experiência mais aprofundada com o cinema. é uma sala pequena com 90 lugares e que a gente toda terça tenta trazer um filme para cá dentro de uma temática pensada para poder dialogar com o público debater procurar entender como é o processo de produção, a parte

  119. 1:29:40

    ideológica dos filmes, a coisa da arte no cinema, tentando fazer o público entender como o diretor trabalhou, o olhar dessa fotografia, como era o cinema nesse período na história do cinema. tudo isso eu achei que deu muito certo tanto que o Cineclube foi fundado em 2006 e até hoje ele está aí funcionando, agita o cenário cultural de cinema que é importante resgatando a tradição aqui do próprio teatro que foi o cinema. se a gente pega São Paulo os grandes polos os cineclubes eles

  120. 1:30:24

    estão se esvaindo estão morrendo a maioria, os grandes cineclubes de São Paulo estão acabando. então eu acho que de repente a gente ter um cineclube funcionando há 8 anos aqui com essa proposta de vários olhares eu acho de suma importância dentro de um espaço que é o Teatro Municipal. quando começou a se assentar a possibilidade dessa semana existir parecia uma coisa muito distante porque na realidade não existe esse tipo de homenagem prestada em vida,

  121. 1:31:18

    normalmente depois que a pessoa morreu se faz esse tipo de homenagem. a força o poder que eles emanam pela arte deles eles são extremamente importantes pra música instrumental não só brasileira como internacional. eu acho que esse festival e as pessoas que a gente está trazendo para cá eles não vêm para um festival apenas, eles estão vindo ser abraçados por uma família. saudade paixão emoção diferente que aniquila a vida da gente. e como de fato a gente tem muita estrada rodada principalmente os meus irmãos,

  122. 1:32:07

    eles ficam querendo participar e trazer um pouco deles para estarmos juntos nessa história. eu acho que São João da Boa Vista tem tudo no futuro para ser um grande centro mente musical cuja casa é esse teatro. eu não imaginava, por mais que eu ache incrível os Assad, eu não imaginava que eles têm o nome que eles têm, eles abrem as portas quando você liga para algum músico entra em contato com algum músico e a gente fala que é por eles é impressionante a importância que eles têm no

  123. 1:32:58

    cenário musical internacional. e por isso que tem que existir a Semana Assad para valorizar isso porque a gente não tem a mínima noção de como eles são importantes. eu acho que hoje o teatro é o grande ponto focal da cultura sanjoanense, as pessoas pensam em cultura pensam no teatro. vivenciei uma cultura aqui, não existe teatro desse aqui na região com essa beleza com essa qualidade desse período não existe, então ele foi muito especial não é qualquer coisa mesmo na divina decadência. acho que o teatro ele tem uma

  124. 1:33:56

    importância não só para São João ele tem uma importância regional, ele é grande o suficiente para ter a sua sombra projetada na região. então nós temos na cidade já uma certa tradição, São João ela é muito respeitada na região como sendo um lugar que tem uma produção cultural bastante grande, embora a gente que fica aqui faça muitas críticas mas na região ela é muito respeitada. porque aquilo não se trata de um prédio, é uma coisa simbólica. uma cidade do porte de

  125. 1:34:39

    São João, uma cidade com menos de 100.000 habitantes, não é ter um teatro construído em 1914 que vai ter 100 anos. e mais do que esse espaço físico é a forma com que ele é utilizado, é que ali pulsa a cultura todo dia, você passa ali tem eventos tem movimentos. e funcionar como ele funciona é um teatro que a gente tem o maior orgulho de falar isso, nós tivemos vários artistas que passam por aqui e falam justamente isso: gente isso aqui tudo aqui funciona não há necessidade de mais coisas, porque ele é lindo

  126. 1:35:19

    arquitetonicamente ele é lindo por dentro ele é lindo, as pessoas que organizam as coisas são muito receptivas muito entusiasmadas então eu acho que vai muito bem. acho que ele até é mais importante hoje do que quando ele foi inaugurado porque naquela época tinha outros teatros até, tinham cineclubes tinham os círculos italianos tinha outras coisas acontecendo. nós temos no Brasil apenas seis teatros como esse e no estado de São Paulo quatro e um desses quatro fica em São João da Boa Vista. Campinas acabaram demolindo, bastou

    ver: Memórias e curiosidades
  127. 1:36:06

    uma goteira desmancha tudo. Amparo tinha um teatro da mesma época do Teatro Apolo de São João da Boa Vista eles acabaram demolindo, tinha pinturas no teto maravilhosas. São João da Boa Vista almeja ser um grande centro cultural tem que começar preservando o teatro que tem. o teatro pertence à prefeitura mas é administrado pela AMITE que luta muito, não é fácil administrar esse teatro, demanda uma disposição de tempo muito grande das pessoas e uma luta diária. porque o teatro ele está aqui fisicamente ele está aqui conservado restaurado

  128. 1:36:57

    mas e a parte técnica dele? quando que nós vamos ter esse palco devidamente iluminado, quando que nós vamos ter varas de luz que comportem uma iluminação real para que você possa trazer qualquer companhia de fora, o tanto de artimanhas que podem ser feitas para dar esses efeitos de tá voando tá nevando, você muda o tempo você muda se é dia se é noite. essas técnicas todas que a gente gostaria de trazer para cá até hoje a gente não tem. esse teatro completo ele nunca teve fosso de orquestra e ainda apesar da intenção de

  129. 1:37:41

    criar e avançar o palco abrir mais a boca de cena, quer dizer não é um teatro completo o que pode ser um teatro para uma ópera. o teatro por si não tem nada assim muito especial em termos acústicos ele poderia ter, se sendo preparado para isso uma coisa que sustentasse mais o som de repente uma concha acústica. eu acho que é muito importante pra cidade ter um teatro como esse mas ele não basta, nós temos uma periferia aí maior que o centro da cidade que não é atendida pelo teatro e o teatro não se importa em ir buscá-los na periferia

  130. 1:38:21

    também. o trabalho que está sendo feito já é grandioso mas a gente sabe que ainda muita gente tem medo do teatro acredita que teatro é coisa de elite de gente rica, eu não tenho roupa para ir, eu vou fazer o que lá. teatro hoje embora a gente avançou muito ele é visto um pouco como uma coisa da elite, só vai no teatro uma elite cultural. sensação de que assim é do povo, do povo sanjoanense eu faço parte então por mais que a gente fique às vezes de fora observando não entro para assistir mas eu acompanho falo assim: caramba olha

  131. 1:39:00

    isso é legal, nossa a programaçãozinha está xoxa. eu tive alguns pequenos conflitos aí mais de filosofia, porque eu sempre entendi continuo entendendo que o teatro tem que ser aberto tem que ser usado, ele não tem que servir só para visita ele tem que ser usado tem que ter bastante atividade aqui. o teatro é um lugar espetacular do ponto de vista visual, e como eu acredito que a energia dos lugares também aparece nas imagens eu acho que também essa energia que o teatro essa história dele esse

  132. 1:39:46

    poder que ele tem também acaba de certa forma aparecendo sendo revelada nas imagens. e um teatro desse porte possibilita o artista vir para cá e ficar surpreso, ele entra aqui: uau onde estou. não é uma analogia muito boa mas é quando você dá um passo fora da realidade, porque aquilo quando você entra o espetáculo começa fica tudo em suspensão, você não vê o tempo passar você sente a música, porque além de escutar a música ressoa muito bem com a acústica do teatro. captar as imagens é uma tentativa de congelar aquele

  133. 1:40:27

    instante mágico que de repente o tempo para fica tudo em suspensão e você precisa ser nada naquelas sensações, a música as luzes coloridas. é muito importante o teatro principalmente na vida das crianças, é muito bacana quando tem criança aqui dentro é fantástico. eu tenho uma neta interessante e ela pequenininha nós estávamos aguardando abrir, me parece estava acontecendo algum evento e o pessoal entrando pro teatro todos muito bem arrumados, ela falou assim: eu ainda hei de brilhar nesse teatro. um

  134. 1:41:30

    caminho muito importante também é que as pessoas possam se imaginar no palco também, então eu queria ver mais sanjoanenses no palco do teatro. então quando eu penso em cultura quando eu penso na importância que isso tem para mudar essa realidade para fazer o ser humano ficar mais perto da sua essência, despertar. esse absurdo que nós fazemos com a credibilidade das crianças esse absurdo que nós fazemos com quem quer viver de arte de música que na maioria das vezes vive em condições complicadíssimas.

  135. 1:42:02

    tem que mudar essa realidade e a primeira maneira de mudar a realidade é chamar a população chamar os empresários para participar desse processo, primeiro enxergar a importância de um processo desse e depois participar. então São João acho que tem muito orgulho do teatro gosta do teatro, é uma referência cultural. todo mundo tem que saber qual é a finalidade cultural do teatro, longe o tempo que se pensava em óperas, hoje não o teatro tem a música popular tem as semanas tem

  136. 1:42:36

    para todo gosto possível da população e com portas abertas, não vem quem não quer e pode escolher o lugar que quiser ou na frisa camarote ou na plateia ou no palco. então a importância cultural para uma cidade de ter um patrimônio desse é suprema porque está ficando uma coisa de luxo você ter um teatro funcionando na sua cidade, que se comporte e que seja gerido da forma como esse teatro é e ele se manter durante 100 anos com essa vontade de existir. então ele é muito além de um patrimônio, tem a importância dele mas

  137. 1:43:24

    ele é uma joia. eu acho que como o Brasil é um país que não tem muita memória a gente vai destruindo as coisas que foram importantes, preservar coisas desse calibre aqui eu acho fundamental porque quanto mais passar o tempo mais isso aqui tem valor. é algo inexplicável com palavras a importância de um teatro nesse nível numa cidade, não é uma coisa que a gente tem que vivenciar para perceber a importância. isso é o que representa ter um Teatro Municipal em uma cidade. a busca pelo conhecimento a busca

  138. 1:44:01

    pela essência do ser, então o teatro tem que ser direcionado para esse tipo de atividade mesmo, trazer a produção pessoas discutindo pessoas falando, o sangue vivo pulsando na veia o suor escorrendo do ator e respingando na plateia, é isso que é relação humana é isso que o teatro permite e nenhuma outra arte permite esse tipo de coisa, nem televisão nem cinema. o teatro é aquele que mostra o ser humano vivo ali presente se questionando se entregando para ser ou não ser. "a meus cansados e tristes olhos se

  139. 1:44:51

    continuarem a chorar por esse mesmo motivo eu os arrancarei das órbitas e junto com as lágrimas que vertem eu os atirarei à terra para fazer lama."

Acessibilidade

A transcrição navegável já está disponível acima; legendas e controles de reprodução vêm do player do YouTube.

  • Legendas em português (YouTube)
  • Transcrição integral e navegável
  • Busca por palavra, nome ou tema
  • Salto para o minuto exato no filme
  • Controle de velocidade (YouTube)
  • Navegação por teclado

Em preparação

  • Audiodescrição das imagens

Memórias do público

Comentários sobre o filme

O que este documentário despertou em você? Deixe sua impressão, corrija um detalhe ou complete uma história.

As mensagens passam por revisão antes de aparecer.

Carregando…