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Theatro MunicipalSão João da Boa Vista
Projeto histórico da fachada do Theatro Municipal.

Como esta história foi construída

Pesquisa e fontes

5 min de leitura

Uma boa história não precisa esconder de onde veio. Pelo contrário: saber a procedência de cada informação deixa a leitura mais rica e ainda abre caminho para novas descobertas. Por isso, aqui as fontes ficam à mostra.

Fonte central

Theatro Municipal, 100 anos — 2014

Editado por Neusa Maria Soares de Menezes, o livro do centenário reúne narrativa histórica, cronologia, fotografias, programas, cartazes, plantas, listas de pessoas, depoimentos e crônicas.

O material é a espinha dorsal do projeto. Como várias peças reproduzidas pertencem a acervos ou autores diferentes, cada uma preserva seu crédito e sua autorização específica.

Fonte audiovisual

Música & Drama — A História do Theatro Municipal de São João da Boa Vista

Documentário dirigido por Eduardo Menezes, disponível no YouTube. O filme reúne depoimentos e imagens que precisam ser transcritos, identificados e relacionados ao acervo.

Pesquisa acadêmica

A dissertação de Luis Pedro Dragão Jeronimo — Uma memória e um espaço restaurado em dois tempos: o Teatro Municipal de São João da Boa Vista no momento de sua construção (1914) e a partir de seu restauro, dos anos 1980 aos dias atuais (Universidade de São Paulo, 2020) — é uma referência crítica importante. O trabalho consulta cartórios, jornais, arquivos, plantas e documentação de restauro, permitindo revisar versões consagradas.

Um artigo derivado — “Um primor artístico de architectura”: a construção do Theatro Municipal de São João da Boa Vista como símbolo da modernidade (revista História e Cultura, UNESP, v. 10, n. 2, 2021) — analisa o edifício como símbolo da modernidade, da civilidade e do cosmopolitismo da elite cafeeira sanjoanense do início do século XX.

Dois outros trabalhos do mesmo autor completam o quadro: um artigo derivado na revista Mosaico (FGV, 2021), sobre os primeiros anos e os usos atuais do edifício, e Participação popular e preservação do patrimônio cultural (revista Vernácula, 2023), sobre a mobilização contra a demolição, o tombamento e o restauro. Para os primórdios — a pedra fundamental, a inauguração e os primeiros eventos —, é referência o artigo de Rodrigo Rossi Falconi na Revista da ASBRAP (nº 18).

Outras obras de referência

Além do livro do centenário, a memória do Theatro está registrada em obras locais que se complementam:

  • Sidney Beraldo, 90 anos — Teatro Municipal (2004) — memória da aquisição e da recuperação;
  • Jonathas Mattos Jr., Theatro Municipal e Trajetória das Artes em São João da Boa Vista (2000);
  • Maria Célia de Campos Marcondes, Arte e Cultura em São João da Boa Vista (2011);
  • Luis Pedro Dragão Jeronimo, dissertação de mestrado (USP, 2020, em dois volumes) — o levantamento acadêmico mais extenso disponível, base para revisar datas e números consagrados.

Fontes primárias prioritárias

  • Estatutos e atos da Companhia Teatral Sanjoanense;
  • atas, ações e registros comerciais;
  • leis municipais de 1912, 1981 e 2003;
  • escrituras de aquisição de 1984 e 1985;
  • jornais O Município, A Cidade de São João e outros periódicos;
  • Processo CONDEPHAAT 23.125/84;
  • Processo IPHAN 1.190-T-86;
  • plantas, memoriais e fotografias da restauração;
  • programas, cartazes, partituras e borderôs;
  • entrevistas e acervos familiares.

O que ainda está em disputa

Pesquisa séria convive com divergências. Em vez de escondê-las, registramos as principais — cada uma é um convite à pesquisa, não um ponto final:

  • Número de acionistas. A tradição local e a fonte oficial falam em 113; a ata de constituição registra 103 presentes ou representados (677 ações), e a reconstrução do Livro de Accionistas aponta cerca de 191 a 196 acionistas até 1914.
  • Data de inauguração. 31 de outubro de 1914 (livro do centenário, O Município, ASBRAP) ou 8 de novembro (páginas institucionais). Aqui adotamos 31 de outubro. A cronologia do livro sugere a origem da confusão: a gala foi em 31/10, às 20h30, e a Companhia Santos Silva continuou a temporada em 8 de novembro — provavelmente a data avulsa que migrou para algumas páginas como se fosse a abertura.
  • Capacidade da orquestra. O fosso foi anunciado para até 80 “figuras” em 1913 e é hoje descrito para cerca de 39 músicos.
  • O que havia no terreno. A memória local citava Santa Casa, Grupo Escolar ou hotel; a pesquisa em cartório (Jeronimo, 2020) mostrou outra coisa: ali se erguia o sobrado da família Tavares — onde funcionou a primeira sessão de júri da vila —, comprado da Câmara por 14 contos de réis e demolido em 1913. A versão da “permuta” de terrenos não tem documento que a comprove.
  • Início do cinema. Não foi “virar cinema em 1937”: as fitas são esteio econômico desde 1914; 1937 marca a consolidação da fase CineTheatro.
  • Datas do tombamento. Processo aberto em 1984, aprovado pelo Conselho do CONDEPHAAT em 16 de dezembro de 1985 e formalizado pela Resolução SC nº 3 em 19 de janeiro de 1987.

Selos de evidência

Selo Significado
Corroborado Presente em mais de uma fonte consistente, mas sem documento central digitalizado.
Memória Relato pessoal, crônica ou tradição oral identificada.
Em pesquisa Há versões diferentes ou falta documentação conclusiva.
Informação de serviço Dado operacional, com data de verificação.

Referências digitais iniciais

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